O montado de sobro e de azinho, com o respetivo sub-bosque de esteva, alecrim e tojo, com maior expressão a norte e a este (Herdades da Serra, da Marquesa, do Sobral, das Antas de Baixo e da Farelôa).
As vinhas velhas (mosaico de vinha-olival), a sudeste, constituídas pelo emaranhado de pequena propriedade (as chamadas fazendas de Vila Alva) coberta de grandes oliveiras centenárias, vinhas “rasteiras e desalinhadas”, algumas árvores de fruto (principalmente pereiras e figueiras) e algumas hortas.
Os campos nus, a sudoeste, atapetados de vegetação rasteira, paleta de cores onde predominam o verde, o amarelo dos malmequeres e o branco das margaças, no inverno e na Primavera, o amarelo ressequido, no Verão e o castanho no Outono. Onde podem ser encontradas as ervas plantas comestíveis mais típicas do Alentejo: as carrasquinhas e os catacuzes (aqui conhecidos simplesmente por ervas.
As linhas de água
O território de Vila Alva é delimitado e/ou atravessado por diversas linhas de água que constituem um significativo património natural pela forma como moldam a paisagem, sendo, também que algumas delas têm ou tiveram um forte significado económico e cultural.
Ribeira de Odivelas
A Ribeira de Odivelas na qual está implantada a barragem de Albergaria dos Fusos (que marca o limite entre os territórios de Vila Alva e de Oriola, do Concelho de Portel), separa, a norte, o território de Vila Alva do território de Vila Ruiva e Albergaria dos Fusos e, num pequeno troço, do Concelho de Alvito. É a linha de água com maior caudal do território e, atravessando uma zona de montado maioritariamente de azinho, reveste-se de relevante interesse paisagístico. A “ribeira”, como popularmente é referida, foi em tempos um importante polo de atração para gerações e gerações de vilavenses que a procuravam para atividades de complemento à economia familiar (por exemplo, a pesca artesanal de espécies como a pardelha, o bordalo ou a saboga) ou para atividades lúdicas como, por exemplo, nadar no “perigoso” Pego das Maias, comemorar “as sortes” (inspeção militar) ou fazer as grandes pescarias das adiafas das campanhas de tiragem de cortiça.
Por todas estas razões, a “ribeira” esteve ao longo dos tempos no mais profunda da alma dos vilalvenses.
Ribeira de Malk Abraão
A Ribeira de Malk Abraão, que nasce na Freguesia de Vila de Frades (Concelho de Vidigueira), marca, a sul, o limite do território de Vila Alva com o território e Vila de Frades e com o território da Freguesia de Cuba. Desagua na Ribeira de Odivelas já no Concelho de Alvito. Atravessando “as vinhas” que foram desde tempos imemoriais o principal garante da parca agricultura de sobrevivência das famílias vilalvenses, teve ao longo dos tempos um relevante significado económico. Apesar do visível estado de decadência que hoje enfrenta, permanecem visíveis inúmeros vestígios do que foram a sua relevância e pujança económica de outrora: restos de muros de contenção das águas para proteção dos terrenos; pequenas vinhas velhas e pequenos olivais milenares, sendo que algumas destas unidades se encontram ainda em exploração; várias pequenas hortas em ambas as margens, ainda que da maior parte delas já só restam vestígios dos poços e tanques de rega quase totalmente cobertos por silvas.
Para além do significado económico e cultural que teve e, em parte ainda tem, a Ribeira de Malk Abraão está também no mais profundo da memória de Vila Alva por nele ter ocorrido aquela que foi, de que haja memória, a maior tragédia nela ocorrida.
No fim da tarde de 3 de outubro de 1944, uma tempestade violenta caiu sobre várias localidades do Alentejo tendo afetado também a zona de Vila Alva, com forte incidência nas vinhas, em particular na bacia hidrográfica constituída pela Ribeiro de Malk Abraão e os seus afluentes, a Ribeira de São Bartolomeu e a Ribeira do Zangalho. A enchente repentina e extrema dos cursos de água arrastou tudo o que encontrou pelo caminho – produtos agrícolas, animais e pessoas. Na horta do “Perna à Roda”, situada junto à margem direita, morreram cinco vilavenses: Fernando Palma (conhecido por “Perna à Roda”) e Isabel Branco, sua mulher; António Pacheco (conhecido por “Fofas”) e Ana Ovelha (ou Ana Amaro), sua mulher; Romão de Brito.
Barranco da Ervideira
O barranco da Ervideira cruza o território da freguesia de este para oeste passando cerca de 1 km a norte de Vila Alva, até encontrar a ribeira de Odivelas junto ao Monte da Ribeira, cerca de 1km a jusante da barragem de Albergaria dos Fusos. Faz todo o seu curso por montado de sobro e azinho, atravessando herdades (Herdade do Sobral, Herdade da Marquesa, Herdade do Monte da Ribeira) nas quais gerações e gerações de vilavenses laboraram, na pastorícia, na cultura do trigo e da cevada, na poda (aqui designada por “corte” ou “limpeza”) de azinheiros e sobreiros, na produção de carvão vegetal e na extração de cortiça. No seu caminho encontra várias fontes rurais de água potável que tiveram grande relevância para homens e animais num território tradicionalmente seco onde a água é um bem precioso: a fonte férrea e a fonte da marquesa (na Herdade da Marquesa) e a fonte do Lança (na Herdade do Monte da Ribeira). Praticamente a chegar à foz, passa sob a ponte medieval da Monte da Ribeira.
Pequenos barrancos que cruzam e/ou rodeiam Vila Alva
Constitui também um interessante património natural a rede de pequenos barrancos que rodeiam e/ou atravessam Vila Alva e vão alimentar o barranco da Ervideira. O barranco que nasce na pendente norte do Outeiro Alto, e contorna a aldeia pela esquerda (no sentido sul-norte) seguindo para o Vale da Amoreira; o barranco que atravessa a aldeia, pela Travessa Bento Gonçalves, encanado, para voltar à superfície já fora da aldeia perto do pequeno pinhal das “eiras” e, depois de passar pela ETAR, receber o anterior no Vale da Amoreira; o barranco do quartel que, nascendo a sul da Quinta de S. José, atravessa toda a aldeia encanado para voltar à superfície junto à desaparecida Fonte de S. João e, a partir daí, contornar a aldeia por nascente para receber os outros dois no Vale da Amoreira.
Plantas utilitárias
Certas plantas que cresciam espontaneamente no território foram muitas vezes utilizadas para a criação de artefactos ligados à execução de tarefas de vida quotidiana. São disso um bom exemplo as vassouras de mata pulga, de palhinha ou de coentreiro, os vasculhos de murta, lentisco ou barbasco, as esponjas vegetais (esfregões biológicos), os molhos de tojo para acender a lareira, os cocharros, as “cochelas” ou os tarros de cortiça, que hoje caíram em desuso. Pelo papel relevante que desempenharam na vida dos vilalvenses de outros tempos, talvez faça sentido recuperar tais artefactos se não para uma utilização massiva (que hoje seria praticamente impossível) pelo menos como mostra e exemplo de uma prática tradicional e sustentável. O que poderá, em alguns casos implicar a necessidade de eventuais repovoamentos em terrenos públicos e/ou privados (com autorização dos respetivos proprietários).