Vila Alva foi sede de Concelho até 1836 e, naturalmente, teve, por via dessa condição, relevante património civil público: Paços do Concelho (Casa da Câmara e Cadeia) edifício onde depois funcionou a chamada “escola velha”, e Pelourinho e possivelmente cartório. Este património localizava-se na antiga Praça Velha (atual Largo Dr. Guerreiro Bicó) que foi durante muito tempo o centro político e administrativo de Vila Alva.
Ainda no âmbito do património civil público, refiram-se as fontes: Fonte de São João, provavelmente a mais antiga de Vila Alva, referenciada já na primeira metade do século XVI, situada no antigo Largo da Fonte (atualmente Largo Luís de Camões); a Fonte Nova (referenciada desde 1875), também designada Fonte de Nossa Senhora da Rocha (referenciada desde 1842), situada no antigo Rossio da Fonte Nova.
Teve também algum património civil privado, sendo o mais relevante o Palacete da família Arce Cabo Coelho Perdigão (também conhecido popularmente por “casas altas”), implantado no local onde atualmente se situa o antigo “prédio do Dr. Bicó”, também na antiga Praça Velha e o Palacete da Rua da Misericórdia implantado onde hoje se localiza o palco e o recinto de festas da Junta de Freguesia.
Grande parte deste património foi, por incúria, por desleixo ou por qualquer outra razão inexplicável, “varrido do mapa” ao longo da segunda metade do século XX. Hoje não é mais do que um “património memória”. Algum será ainda possível recuperar: por exemplo, a fonte de chafurdo de S. João, por exumação; a Fonte Nova, parcialmente soterrada e atualmente na posse de privados; o fuste do Pelourinho, igualmente na posse de privados. Outro (a maior parte) apenas será possível fazer recordar através da instalação de painéis evocativos/interpretativos com a exibição de fotos antigas, nos respetivos locais.
Restam apenas algumas “peças” de património civil dignas de registo: a Torre do Relógio; a Fonte das Bicas (antiga Fonte de Santo Amaro); a antiga escola Adães Bermudes (hoje sede do Clube Cultural e Desportivo); a escola primária Plano dos Centenários.
Torre do Relógio
A sua construção foi decidida em reunião de Câmara de 28 de fevereiro de 1819. Pouco mais se sabe sobre a sua construção. Duração da obra e inauguração permanecem ignorados.
A sua localização, no centro e no ponto mais elevado da vila, a forma como sobe “esguia e elegante” em direção ao céu e se destaca de todo o resto do casario, fazem com que a Torre do Relógio marque indelevelmente o perfil de Vila Alva e seja o seu traço identitário mais autêntico, orgulho e referência de gerações e gerações de vilavenses.
Fonte das Bicas
Situada do lado direito de quem entra em Vila Alva vindo de sul, com uma área total de cerca de 600 metros quadrados, é constituída por: uma fonte de duas bicas que debitam permanentemente a água proveniente de uma nascente localizada a cerca 500m a sul (antigamente designada por olheirão); dois chafarizes retangulares com cerca de 13 metros quadrados cada, paralelos à rua, que recebem água das bicas; um lavadouro público (tanque) hoje coberto, paralelo aos chafarizes, com cerca de 72 metros quadrados (sendo a cobertura de cerca de 135 metros quadrados); um espaço livre, nas traseiras do tanque, com cerca de 150 metros quadrados.
Inaugurado no dia 1 de agosto de 1889 (a crer na data que está inscrita no pórtico que leva dos chafarizes ao tanque), este espaço cumpriu ao longo do tempo duas funções essenciais na vida económica e social dos vilalvenses: dar de beber aos animais e às pessoas que durante décadas e décadas fizeram o mais importante movimento pendular dos vilalvenses da vila para as vinhas (de manhã) e das vinhas para a vila (à tarde); a lavagem da roupa da labuta e do lazer (pouco) e “das vidas” dos vilalvenses.
Perdidas estas funcionalidades (raros são os animais de lavoura, a água é canalizada e das dezenas de mulheres que lavavam roupa e “cortavam na casaca” já não resta praticamente nenhuma), continua a ser um espaço nobre de entrada na Vila e, sobretudo, a ter uma dimensão simbólica profunda para muitos vilalvenses.
Escola Adães Bermudes (antiga escola das raparigas, atual sede do Clube Cultural e Recreativo)
Situada entre a Praça 5 de Outubro e a Igreja de Nossa Senhora da Visitação foi inaugurada em 1906. O edifício segue o modelo de escola criado por Adães Bermudes (1864-1948), um dos arquitetos mais requisitados durante a 1ª República. Destacam-se: a planta retangular simples, a sala de aula voltada para a fachada principal, a residência do professor integrada no corpo do edifício, os sanitários destacados e área de recreio (quintal); a fachada principal simétrica, as janelas amplas, os vãos com molduras em cantaria simples, as paredes rebocadas e caiadas de branco com apontamentos ocre; as paredes em alvenaria de pedra e tijolo rebocado, a cobertura (telhado tradicional) de duas águas com estrutura de madeira e telha cerâmica, o pé-direito alto, os pavimentos de soalho; as janelas de grandes dimensões, dispostas de forma a garantir iluminação natural.
Escola primária Plano dos Centenários
Inaugurada em 1949/1950, no âmbito do Plano dos Centenários (plano de construção de escolas emblemático do Estado Novo, decorrido entre 1940 e finais da década de 1950), é um edifício de uma só sala, de planta retangular e um piso, com fachada simétrica, janelas amplas e telhado de duas águas. As paredes são rebocadas e pintadas de branco, com embasamento em cor mais escura.
O interior é dominado pela sala de aula única iluminada naturalmente, originalmente com quadro de ardósia, carteiras, secretária da professora e pequeno espaço para arrumos.
No exterior existe um pátio murado com uma parte coberta nas traseiras (alpendre com pórticos) onde se situam as instalações sanitárias.
Em 1992 foi realizada uma intervenção de ampliação arquitetónica tendo o alpendre sido prolongado para um novo edifício com duas salas de aula, um hall de entrada e instalações sanitárias.
Ainda que esta intervenção tenha vindo alterar a sua configuração global, o edifício principal mantém-se como um testemunho da política educativa do Estado Novo incluindo o típico escudo em pedra que encimava a porta principal e que, por razões que desconhecemos, foi removido e colocado na Praça 5 de Outubro. A escola e representa um marco importante na memória coletiva da freguesia, associada à alfabetização e ao quotidiano das crianças de várias gerações.